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Inaptidão Clínica No Centro de Hematologia e Hemoterapia Do Ceará em 2016: Reflexões e Desafios Para o Hemocentro

Publicado em: 06/12/2019
Autor : Rebouas TO, Castro FB, Cruz KPC, Silva EL, Azevedo JSA, Oliveira JBF, Rodrigues FG, Cavalcante IR, Nunes RM
Publicado em: https://abhheventos.com.br/hemo2017/wp-content/uploads/2014/01/SUPLEMENTO-HEMO-2017.pdf

Introdução:

No Brasil, a triagem clínica e laboratorial é regulamentada pela Portaria nº 158 de 2016, que determina o Regulamento Técnico para os procedimentos hemoterápicos. Para se diminuir o risco de transfusões de sangue durante o período de janela imunológica, é desenvolvida a triagem clínica de doadores, incluindo perguntas direcionadas a fatores de risco para doenças infecciosas e sexualmente transmitidas. O alto índice de rejeição de doadores à triagem clínica é um desafio na maioria dos hemocentros nacionais, nos motivando a desenvolver o presente estudo, que objetiva identi car os principais motivos de inaptidão clínica em do-adores de sangue no ano de 2016.

Material e Métodos:

Trata-se de um estudo descritivo, documental retrospectivo e com abordagem quantitativa. Foram analisados os dados dos relatórios e elencados os principais motivos de inaptidão clínica gerados pelo Sistema de Banco de Sangue (SBS), utilizado pelo HEMOCE no período de janeiro a dezembro de 2016.

Resultados:

Em 2016 foram totalizados 87.185 (100%) candidatos à doação de sangue; destes, 61.6349 (70,70%) foram aptos e 25.551 (29,30) foram inaptos clinicamente. Os quatro principais motivos que levaram à inaptidão clínica do sexo masculino foram: 5.657 (22,15%) comportame-to de risco; 5.392 Outros motivos (21,10%); 380 Anemia (1,40%); 249 uso de drogas (0,9%). Já os índices femininos indicam como principais motivos: 6.358 Outros (24,88%); 3.590 Anemia (14,05%); 2.739 Comportamento de Risco (10,71%); 125 Hipotensão (0,4%). Dentre os 62 motivos de rejeição temporária, os 4 prinicipais motivos elencados correspondem a mais 60% do total geral de inaptidões. A presença do motivo “outros” como importante causa de inaptidão não é informativa, pois prejudica a qualidade dos dados. Observamos taxa de inaptidão geral de 29,30%.

Conclusão: As duas principais causas de inaptidão para ambos os sexos foram o comportamento de risco e outros. Refletir sobre os motivos que levam um doador a ser inapto chama a atenção para a importância das informações colhidas durante a triagem clínica. O triagista precisa compreender e ter uma sensibilidade para cada triagem realizada, pois a triagem clínica de doadores de sangue é um processo complexo, dinâmico e ímpar, que envolve empatia, sigilo e cumplicidade das informações coletadas para que a prática hemoterápica se torne cada vez mais segura e confiável. Sendo assim, é um desafio conhecer os motivos que levam a uma inaptidão e clínica e formular estratégias específicas de promoção da saúde do candidato à doação de sangue, incentivando-o à adoção de hábitos saudáveis e, sobretudo, para que se torne um doador de sangue.